Passaste sylphide
A' luz da lua
Co'a face nua
Sem ter um véo !
Eu vi-te pallida
Olhar chorando
De quando em quando
Pr'o ermo céo !

Alvejam cómoros
Dos nevoeiros !
Como os coqueiros
São espectraes !
Fantasma lugubre
Uivava triste
Quando sahiste
Dos coqueiraes!

Folhas deslocam-se
Dos galhos — seccas...
Lá nas charnecas
Mocho piou 1...
Brincava tremulo
Um brilho vago
A' flor do lago,
Que latejou!

A flor, das arvores
Murcha, indolente,
Sobre a torrente
Balança e cahe...
O orvalho — o zephyro
Da flor na taça
Bebendo passa,
Cantando vae!

Reluz tão languida
A estrella d'alva
Na face calva
Do mar sem fim !...
Vertendo lagrimas
Do imo d'alma
Eu vi-te em calma
De noite assim!

Os dedos frigidos
Brancos de neve
Roçaste leve...
Meu ser tremeu !
Quem és? responde-me !
Alma sem vida,
Forma perdida,
Delírio meu!

Beijar-te — stolido —
Eu quiz — fugiste —
Pallida e triste,
Branco vapor ! 
Fugiste subito,
Desfez-te a aragem,
Louca miragem,
Alma de flor!

Eu vi-te — gélida —
Em noite fria,
Fada sombria
Fitar o céo !
Quem és tu? sylphide!
Rosa das campas,
Que o vulto estampas
No peito meu!

1877.