Agora que a noite estende
Alvo lençol de luar —
E a bafagem que rescende
Nos jardins perfuma o ar ;

E que a musica nocturna
Acalenta a natureza,
Scisma a virgem taciturna
Tão cheia de morbideza !

N'uma noite assim eu vi-a,
Mas onde vi-a, não sei !
Na mente a febre eu sentia
Das illusões que matei !

Eu vi as faces tão puras
D'essa languida poetisa,
E as suas trancas escuras
Bafejadas pela brisa !

Scismava, e na fronte altiva
Da americana gentil —
Havia a imagem bem viva
D'um sonho aéreo e febril!

Se o palpitar do seu seio
Mostrava interna procella,
Ao lábio um sorrir lhe veio
Como o sorrir d'uma estrella !

Creança! chorava, entanto,
Scismando, meu Deus, em que ?!
Porque nadavam em pranto
Seus negros olhos — porque ? !

Eu vi-a em noite qual esta !...
N'aquelle mesmo logar,
Quem sabe o pranto inda cresta
Seu rosto em febre a scismar ? !

0 que é, Jesus, que eu sentia,
Quando em tal noite a encontrei ? !.
Eu bem me lembro que vi-a,
Mas onde vi-a, nem sei!...

Rio _ 1877.