Na hora em que as clicias que nascem nos valles
Entornam do calix as gotas do orvalho ;
E quando o bafejo da plácida aragem
Meneia a folhagem da beira do atalho ;

Na hora em que surge do mar no oriente
O sol refulgente nas vagas revoltas,
E quando nas agoas da quieta lagoa
Deslisa a canoa co'as velas ás soltas ;

Na hora em que vagam roceiras donzellas
No prado capellas tecendo de rosas,
E as nuvens trazidas nas azas do vento
No azul Armamento se espraiam formosas ;

E as flores cheirosas alastram a relva,
E a rola na selva desperta arrulando,
E, como vapores, mil hymnos sagrados
Das veigas, dos prados, se vão levantando -,

N'ess'hora eu tristonho, nas scismas perdido,
Passeio envolvido das magoas no manto ;
Nem lagrimas tenho da dor como effeito,
Recusa-me o peito consolo no pranto.

E vou pensativo, com tristes suspiros,
Nos ermos retiros carpir essas magoas ;
São ellas mysterios — bem como os segredos.
Que aos duros rochedos murmuram as agoas !...
1877.