Acorda! O orvalho escorrega
Do gravata pelas folhas,
Quebra a torrente nas pedras
E salta desfeita em bolhas.

Acorda ! Ao longe rebenta
Rouco marulho nas fragoas,
O tronco de uma palmeira
Rolando vae sobre as agoas ;

São inda os tristes effeitos
Da forte procella d hontem ;
O estrago, que houve nos bosques
Os passarinhos que o contem.

Beija a onda carinhosa
As conchas ruivas da margem,
Das flores o pollen d'ouro
Os ventos frescos espargem.

O mar brame, o sol flammeja !
Um tem — a voz, outro — o olhar;
A voz do mar — ensurdece,
O olhar do sol — faz cegar.

Acorda ! O dia é risonho,
Meu peito d'amor trasborda !
Acorda ! Tudo é festejo,
E canto e perfume... Acorda !