No ardente craneo seu, bulhava da poesia
O férvido escarcéo !
A'cima d'este mundo insano, estrepitoso,
O seu augusto vulto ergueu-se luminoso,
Sublime até o céo !

Su'alma sempre foi da magoa inabalável
Aos rijos vendavaes!
Envólucro sagrado — aquella vasta fronte
Continha, em fogo ethereo, o fúlgido horisonte
Dos mundos ideaes !

Ora fazia austero estremecer o vicio
No dorso das nações ;
Ora infundia amor e as almas dos meninos
Elle ia povoando, em sonhos matutinos,
De loiras illusões !

E elle o mestre augusto, o mágico architecto
Do templo do ideal —
Da morte se envolveu na fúnebre roupagem,
Como rastro de luz, deixando na passagem
O seu nome immortal!

Meu Deus ! elle morreu-Oh ! sim, porque era humano
Mas quando elle morreu —
Oh ! terra — em convulsões epleticas devias
Tremer como tremeste ás roucas ventanias
De S. Bartholomeu !

N'esse gênio christão da natureza amante
Chora a poesia um pae !
Echos da solidão, aves do bosque denso,
Brisas da madrugada, ondas do mar immenso
Soluçae! soluçae !

1877