Carolina, a cansada, fez-se espera.
Não por temor ao mar, mas ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.

Carolina, a cansada, que então era,
despiu, humildemente, as vestes pretas,
e incendiou navios e corvetas
já cansada, por fim, de tanta espera.

E cinza fez-se. E teve o corpo implume
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.

Foi quando se lembrou de ser esquife:
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.


Leia poesias clássicas, descubra novos poetas e publique suas próprias poesias grátis!

Pesquise por assunto...