Inverno, manhã cedo. A luz que banha
A paisagem é gélida e cinzenta;
A vaga pompa do cenário ostenta,
Ao largo, as serras húmidas de Espanha.

Hortas, vinhedos e a carcaça estranha
De Monsaraz, numa ascensão violenta;
A erva tenrinha os gados apascenta,
Que em tons de bronze a terra desentranha.

E eu olho essa página dolorida,
Testemunha que foi da minha vida,
Povoada agora de visões errantes...

Eu olho-a e dentro da minha alma, afago-a,
Que os teus olhos longínquos, rasos de água,
São hoje os mesmos que me olhavam dantes.


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