Há alguma coisa maior que nós mesmos que é a fidelidade a nós mesmos
Flor espantosa que vive das águas cáusticas e das terras apodrecidas da
prodigiosa extensão humana.
É a sua santidade que eu quero fazer nascer destas palavras de ritmo obscuro
E neste momento mesmo é talvez a sua inocência que eu violento com os
meu dedos mártires que a desejariam sangrando.
Ela nasce desse instante supremo em que o homem que viu a verdade
sente que a sua simplicidade trágica nada poderá contra ele.
Ele que é como o país que vê a guerra no pássaro de arribação que se
pousou da grande viagem sobre o seu pavilhão estendido.
Não existe talvez nada mais belo que a matéria que habita essa alma que
nós mostramos como um pavilhão estendido ao pássaro peregrino
E talvez nada mais horrível que essa guerra que se vê nascer subitamente
das entranhas de nossa miséria
A fidelidade é como o amor da miséria pelo eterno viajante sereno
É como um homem que à força de contemplar um rio é por sua vez contemplado por ele.
Se é que há um lugar de Deus em cada criatura nada será felicidade senão a fidelidade à
falta de Deus neste lugar
Aos sentimentos e nunca à verdade porque a verdade é o símbolo do absoluto e o
abstrato é a morte do homem.
Ai de mim! talvez eu devesse morrer porque eu digo as palavras da fé
com gestos de inteligência.
Fidelidade, lírio, anjo, mar de pureza!