Venham, vamos falar de sujeira!
A maldição de Deus está sobre nossas cabeças!
Deixemos que os nossos lábios derramem irreverência!
Nós somos todos sofredores; vamos, ao invés
De preces, oferecer a Deus o sacrifício
Das nossas mentes que ele amaldiçoou com crime e vício,
Dos nossos corpos a quem a doença atemoriza!

Vamos oferecer ao maior tirano de todos,
Para que perdure na entrada de seu palácio de dor,
Uma mortalha,
E um vestido branco de noiva com uma mancha,
E as vestes enlutadas da viúva, e os lençóis amarrotados
Da cama da esposa.
Deixem que simbolizem o conflito humano!
Dê-me Deus a sujeira das ruas
Do nosso espírito, feito lama como nossas lágrimas
A poeira das nossas alegrias, o lodaçal dos nossos medos,
E a podridão da nossa vida!


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