Há poetas que escrevem
Seguindo pelo caminho.
Ah, bons caminhos os levem!
Têm a medida do espaço
Do homem, tem o compasso
Do passo do passarinho.

Hay siento en el corazón
Un vago temblor de estrellas!

Por um caminho seguia
Federico, em Catalunha
Ou talvez Andaluzia.
Apagavam-se os círios,
Os delíquios, os delírios
Do céu. Ele achava os lírios,
Rindo à luz que os esparzia.

Pero mi senda se pierde
En el alma de lo niebla

Sabemos pouco demais
De um punhal que leva a gente
Ao aço de outros punhais,
Pouco do rio, do mar,
Das galerias do ar,
Da emboscada de um jaguar,
Dos segredos da serpente.

Qué antorcha iluminará
Los caminos en la Tierra?

Parou ao céu da campanha,
A alma crucificada.
Em pé, no mapa de Espanha.
La Coruña a nooeste.
San Sebastian a nordeste
E Sevilha a sudoeste.
Seu coração em Granada.

Si el azul es un ensueño
Que será de la inocencia?

Foi de Granada que veio
Uma briza azul, azul,
Dividindo-o pelo meio.
Teu caminho é o Norte.
Disse a brisa, pois a morte
No Sul traçou-te a sorte.
Rindo-se ele disse: O Sul...

Corazones de los niños!
Almas rudes de las piedras!

Sentiu-se só. Um cordeiro
Que pastava ali doçuras,
Veio ser o companheiro
De Federico, o suave,
A mais doce, a menos grave,
A mais gentil, a mais ave
De todas as criaturas.

Será la paz com nosotros
Como Cristo nos enseña?

A paz ali se assentava.
A morte não era nada.
Um cordeiro sustentava
O galho preso ao carvalho,
A folha presa a seu galho,
Na folha, a gota de orvalho.
E a morte em Granada.

Que será del corazón
Si el Amor no tiene flechas?

Pouco se sabe na terra
Da potestade do inferno
Que, secreta, lhe faz guerra.
Na barranca amanhecida,
Uma ovelha desvalida
Resuia o tempo, a vida
E o frescor novo do eterno.

La nieva cae de las rosas
Pero la del alma queda

Federico da planície
Viu surgir dois porcos pardos,
Negros de sua imundície.
Ai a carne destroçada!
Ai pureza devorada!
Ai cordeiro de Granada!
Ai as garras dos leopardos!

Todas las rosas son blancas
Tan blancas como mi pena

Dentes duros de suínos
Rasgando a lã da inocência!
Ai focinhos assassinos,
Ai misérias de quem ama!
Ai sangue sujo de lama!
Ai terrível epigrama
Da sinistra confidência!

Y si la muerte es la muerte
Que será de los poetas?

Repito a verdade estranha,
A visão crua, desnuda,
Deu-se nas terras de Espanha:
Um cordeiro branco, branco,
Devorado num barranco
Por negros porcos de Franco.

Quem me contou foi Neruda.


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