Vamos parar de ler. Paremos de escrever
Olhos e mãos circulam no papel
ao serviço da dor e da desgraça,
mas as palavras são frias e sem fel

para exprimir o desespero dessa taça. 
Ninguém sabe escrever. E ninguém pode ler 
o que fica, depois de tanta luta fútil, 
da escuridão desvirginada do teu ser

na indiferença de uma folha de papel.
Hoje, ontem, amanhã - amanhã sobretudo -
a vida sempre tem uma faca na mão,

vai sob as unhas, vai direto ao coração,
dói nos olhos, nos pés, dói na alma, dói em tudo,
torna toda a poesia um jogo raso e inútil.