(A delgado de Carvalho)

É quase noite. Crepuscula o dia
na mortalha da treva se enrolando.
Da aragem vespertina, leve e fria,
passa o queixume vaporoso e brando.

Traços d’asas no céu... Na serrania
troncos mirrados erguem-se, estacando.
Os galhos nus semelham a sombria
posição de quem clama deprecando...

Arma-se a eça fúnebre e suspensa
do dia morto... A multidão imensa
das estrelas recama o enorme espaço...

Sobem dos negros as canções magoadas...
Mal se distinguem, longe, nas boiadas,
lentos, os lentos bois marchando a passo...