Olha, eu talvez seja esse
cadáver desconhecido
que avistam sob uma ponte
com relativo interesse:
nem sei mais se me matei
se morri por distraído
se me atiraram do cais
— o mistério é mais profundo,
muito mais...
Vida, sonho de um segundo
— isso é vulgar mas atroz —
e tenho pena de mim
como a que eu tenho de vós...
e sigo
todo florido
destes nossos velhos sonhos
imortais
— ó mistério tão sem fim —
eu sigo todo florido,
cadáver desconhecido
vogando, lento, à deriva
nos rios todos do mundo!