Sia Rosaura tirava a dentadura para comer
Por isso ela tinha o sorriso postiço mais sincero da minha rua
Dona Maruca fazia uns biscoitinhos minúsculos, estalantes e
secos chamados mentirinhas
Eduviges era pálida e lia romances lacrimosos de Perez
Escrich
Tanto suspirou em cima deles que acabou fugindo com um caixeiroviajante
O tempo se desenrolava como um rio por entre as casas de
porta e janela
Pequenas vidas
Pequenos sonhos
Na noite imensa as estrelas eram como girândolas brancas que
houvessem parado
Sentados à porta
— dois santos, dois mágicos, dois sábios —
meu velho Tio Libório e o velho farmacêutico
propunham-se e compunham charadas
que depois orgulhosamente remetiam sob nomes supostos
para o grande anuário estatístico recreativo e literário da
capital do Estado.