Da tua branca e solitária Ermida
Por caminhos de Céu que a Lua esmalta —
Desces — banhada dessa Luz cobalta —
O linho d'Asa abrindo sobre a Vida.

Nada teu Passo calmo sobressalta
E quando a Mágoa as Almas intimida
Das Ilusões a turba renascida
Em ronda espalhas pela Noite alta.

E a claridade que se faz é tanta
Que logo a Terra fica cheia dessa
Sonora e estranha Luz que alegra e canta.

E iluminada de um Luar de Outono
A Alma feliz e impávida atravessa
A vasta e longa escuridão do Sono.