Em pesado rumor que entristece e apavora
Rolas em Temporal pela Noite da Esfera,
Oh! Sátiro senil, que a Luxúria descora
E o palor invernal das Insônias macera. 

As mortas Ilusões, a Ventura de outrora
Tudo o que a Vida ilude e que o Sono exagera,
Tu despertas em Dor que agoniza e que chora
Pela Estrada feral que vai ter à Quimera.

Velho, macabro Clown em sátira figura
Engonçado ofegando em eterno Cansaço
E eterno a debater-se em eterna Tortura.

O rumor animal do teu fôlego aos sorvos
Lembra à Noite, em Pavor, aflando pelo Espaço,
O pesado oscilar da Asa agoura dos Corvos.