Quand je t'aimais, pour toí j'aurais
donné ma vie
Mais c'est toi, de t'aimer, toi qui
m'ôtas l'envie.

ALFRED DE MUSSET

Nunca mais! O sol de outrora
Treva súbita apagou;
Já o fogo não devora
Onde a geada passou.

Esse passado morreu,
Que eu julgara então eterno,
E agora esqueci o inferno
Para lembrar-me do céu...

Não! dessa alma prostituta
Nem mais quero uma afeição!
Caíste — venci na luta,
Sem perder o coração.

Sangra os olhos no chorar,
Nova Agar — no teu deserto,
Que eu agora, audaz liberto,
Nem sei, nem te posso amar!

Caíste! não te detesto;
Não te cabe o ódio a ti.
Seria o pulsar de um resto
Desse afeto que eu perdi.

Sobre esse altar que te dei
Noutras eras peregrinas,
Como em leito de ruínas
Novo Mário — me assenti!

Ficou-me a alma viúva
De muita ilusão gentil;
Como exposta ao vento e à chuva
Flor que deu sobre de abril.

Mas a fria e curva flor
Já não treme assim pendida;
Ergue-a mais ardente vida
Por madrugada melhor!

Tu, caminha — vai jornada
Da vaidade e perdição;
E batiza a alma danada
Em lutulento Jordão.

Um dia sem luz nem voz
Vergarás no teu caminho
E verás, ave sem ninho,
Como punge espinho atroz.