No álbum do Sr. F. G. Braga

Pobre romeiro da poente estrada,
Cantei passando pelo val da vida
Ao sopro do aquilão
Ouvi-te um canto. Minha voz cansada
Vem modular-te a saudação sentida,
Como de irmão a irmão!

Aos sons acordes da tua harpa ardente
Venho juntar uma canção saudosa
Deste alaúde em flor...
A poesia é um dom onipotente;
Não desmintamos a missão gloriosa,
Profetas do Senhor!

Beijarei essa túnica sagrada
Que sobre os ombros o Senhor te dera
Como um manto real;
Irei contigo do porvir na estrada,
Onde rebenta em flor a primavera
Das pontas do espinhal.

Irmão de crença! eu irei contigo
Sonhar nas tendas que ao passar entrarão
Extintas gerações;
Rezarei junto a ti no altar antigo,
Onde muitos outr’ora ajoelharão
Em salmos e orações.

Quando o porvir em fúlgido horizonte
Estende-se arraiado de venturas
E convida a esperar,
Deve-se erguer de entusiasmo a fronte,
Venha embora o luar das sepulturas
A esperança gelar!

O sonho em que o espírito se embala
Vem do céu como angélico segredo
À fronte do cantor;
Mas precoce o coração estala
É que Deus julgou bem erguê-lo cedo
Para um mundo melhor!

Sonhemos pois! Meu tímido alaúde
Da tua harpa unirei à nota ardente
Em uma só canção
Este afeto fraterno é uma virtude,
Deixo-te aqui a saudação de um crente
Como de irmão a irmão.