Amigo, ao ler os versos saborosos
Que me mandou por vinte e um de junho,
Vi ainda uma vez o testemunho,
Dos seus bons sentimentos amistosos.

Há para os corações afetuosos
(Isto, que escrevo por meu próprio punho,
Não é força de rima, leva o cunho
Dos conceitos reais e valiosos),

Há para os corações, como eu dizia,
— Um perigo, a distância: — tal perigo
— Que as mais ardentes afeições esfria.

Inda bem que esse mal, por mais antigo
Que seja, não atinge, neste dia
Um verdadeiro coração de amigo