Quando em teus lábios a harmonia corre,
Como os verbos das almas e do amor,
Um mundo de douradas fantasias
Ao coração dormente se abre em flor.

Solto dos elos da matéria — o espírito
Num céu que de harmonia se perfuma
Adormece nas harpas do teu peito
E as tuas notas bebe urna por uma.

Missão divina! Traduzir na terra
As linguagens do céu! Vibrar cantando
Do sentimento as palpitantes fibras!
E o pranto às almas rebentar chorando!

Talhou-te larga a púrpura do gênio
A mão severa e pura dos destinos,
Imprimiu-te na voz a harpa de um século
E a alma te encarnou em sons divinos!

Depois — na ara da pura melodia
Desceste em uma noite embalsamada;
Segue na rota da missão divina,
Canta, murmura, lânguida, inspirada!

Abre os vôos, parte agora!
Vai, cantora, ao teu destino:
Destas últimas vitórias

Vês? As glórias aqui pus.
Cinge a c’roa e torna arminhos
Os espinhos que colheste;
Que os teus hinos são melhores;
Fazem flores de uma cruz!