Pára! Colhe essas asas um instante;
Olha que senda decorrendo vens!
Pára! é o marco final do caminhante,
E mais espaços a vencer não tens!

Lembra as visões e os sonhos do passado...
Vão longe, longe — quando, artista em flor.
Nem tinhas o caminho calculado,
Que mais tarde devias de transpor.

Contaste acaso em tua mente outrora
Tantas coroas futuras e troféus?
Sonhaste uma vez erguer-te agora
Alto, tão alto, pela mão de Deus?

Não pudeste medir todo este espaço,
Nem pudeste pensar que um dia, aqui
Viria o povo, em um festivo abraço
Sagrar-te os louros triunfais, a TI.

Foi surpresa do gênio — e do destino
Que a tua senda de futuro abriu,
E que uma folha de laurel divino
Em tua fronte pálida cingiu.

Talvez de artista no teu largo manto,
Como gotas de sangue em níveo chão.
Noite de espinhos orvalhou com pranto
E mareou de dor muita ovação.

Faz uma flor de cada espinho acerbo,
Tira de cada treva um arrebol;
Para fazê-la — abre os teus lábios, VERBO!
Para tirá-la — abre os seus raios, SOL!