Ah! se algum dia sentisse
A sombra de tua mão,
Como de ave, que fugisse,
Em meus cabelos — então

Pudera dizer-te: — Filha,
Morrer... pois agora.. sim!...
Que à sombra da mancenilha
Tem-se igual gozo e igual fim.

Mas... tua mão é um deserto
Sem cisterna, água, e palmar:
Crê-se isso tudo bem perto:
Anda se... e nada. É cansar.

Tuas duas mãos estão cheias
De mil carícias: pois bem,
O areal tem menos areias,
E menos tigres também...

Vós, ó tigres de Bengala;
Vós, jaguares de Ceilão,
Vossa pele não iguala
À pele de sua mão,

Halituosa, suave,
Macia, cheirando bem:
Mas... coisa muito mais grave!
E nem nas unhas. — Já veem?

Mas... filha, se queres, lança
As unhas de tua mão...
Anda, não sejas criança, 
Mata-me. Eu peço-te em vão?

Eu quero sentir ao menos
A felina maciez
Desses dedinhos pequenos,
Pequenos tigres talvez.

Como estiletes buídos
Finca-os em meu coração:
E para uns restos partidos
Abre em teu colo um caixão,

E mete-os lá. — Depois disto,
Se vires que estou a arfar,
Um dos milagres de Cristo
Pudeste tu renovar...

Mas qual... Orgulho, esperteza
De um belo tigre real,
Que até desdenha da presa...
E até não quer fazer mal!...