Saí de sua alcova a passo lento e morno,
Onde a deixei velando
A irmãzinha doente: olhei depois em torno,
O dia ia baixando:

O corredor escuso em meia sombra estava,
No fim descia a escada:
Na minha mão direita a mão dela eu levava
Ligeira e delicada;

A sombra da mão dela, a sombra fugitiva.
Porque eu sentia ainda
Roçar-me a sua mão quente, trêmula, viva,
A sua mão tão linda,

A sua mão tão branca, a sua mão macia,
Suave e cetinosa,
Com unhas cor da aurora e luz do meio dia
Nas hastes cor de rosa.

Quando só me senti, levei à boca ardente
A minha mão gelada,
E aí de sua mão beijei profundamente
A sombra perfumada...