(F. A. de Carvalho Júnior)

Morreu por vós, esplêndidas falenas:
Em vós viveu, cativo e delirante!
Como era belo ter esse gigante
Preso, a estorcer-se em vossas mãos pequenas.

Do ardente sonhador, na aurora apenas,
Entre os raios da coma lourejante,
Descansa agora o plácido semblante
À sombra de uma coroa de verbenas.

Por que deixastes resvalar ao solo
A lira de ouro, túmida de arpejos,
E a fronte em fogo do formoso Apolo?

Ai! cortaram-lhe as asas aos desejos!
Por que não o acordais em vosso colo
Ao rumor lento de um chover de beijos?