(Pereira da Costa)

Oh! quando, o último instante, o achei na cama,
Branca a face, sem cor... da cor da cera,
Alheado, estranho, vi por vez primeira
Faltar-lhe aos olhos a divina chama. 

Atravessava um surdo choro o drama,
Enquanto eu lhe buscava à cabeceira,
No violino, a obra e a vida inteira...
Lágrimas de ouro à noite o céu derrama...

Porém... na noite dele?... e olhei: — ao lado
Hirto, e ainda vivo, o feérico instrumento
Sobre as águas do pranto, um mar cavado,

Pareceu-me boiar, ir indo lento,
Ir... por um frio vento arrebatado,
Ele a gemer, tudo a gemer... e o vento...