(Agostinho Mota)

Se ele ouvisse na sua sepultura
A tua voz sentida e suspirosa
Chorar-lhe a morte triste e prematura...
De cada branca pérola mimosa,

Não só mimosa, virginal e pura,
Ele fizera a tela grandiosa
Onde juntara à tua formosura
Os lumes de sua alma radiosa.

O pincel, — morto sol na mão descrente, —
Acordara outra vez, dourando o idílio
De floresta que foi seu sonho ardente.

Fora-lhe a cova um trono, e não o exílio...
E isto tudo fizera de repente
Uma lágrima só que cai de um cílio.