(Almeida Reis)

Trouxe um dia uma fada as brancas mãos coalhadas
De quanta pedraria ela escondido tinha;
Todo o escrínio real da rainha das fadas,
Que inveja causaria à mais nobre rainha!...

Tinha também um gênio uma folha de vinha,
Feita de uma esmeralda, e cecéns enfeixadas
De diamantes, no seio estrelas variegadas,
Verdes, rubras, azuis da cor de água marinha...

Era, para uma estátua ornar de um deus da Jônia,
Que a um plinto brônzeo já de pedra da Lacônia,
Nosso Canova erguia em mármore mais branco...

Era para o teu deus de mármore sublime...
Mas foram dele (horror!) chegando, e vendo o Crime
Inda agitar-lhe o braço, o rosto, o tronco, o flanco!...