Os seus olhos são como os das pombas,
sem fallar no que está occulto dentro.

CÂNTICO DOS CÂNTICOS.

Imagina um sorriso de creança,
Todo candura, e juncta-lhe a meiguice
De um sorriso de mãe ; e tens ideado
O sorriso de Alice.

Imagina um olhar — mysterio e sonho,
Cheio de luz, de gloria, de doidice...
Com a seducção dos olhos da mãe-d’agua;
E tens o olhar de Alice.

Imagina uma grave melodia,
Tão doce como nunca mais se ouvisse,
Como nunca se ouviu na terra ainda ;
E tens a voz de Alice.

Já viste como o cysne fende o lago ?
Como deslisa a névoa na planicie ?
Como anda na clareira a pomba rola ?
E ’ ver o andar de Alice.

Olha o macio pétalo corado
De rosa que de todo não abrisse...
O mimo da conchinha nacarada;
E a bocca de Alice.

Si um dia visses no alcantil dos cerros
A immaculada neve que cahisse,
Verias, ai de mim ! do que é formado
O coracão de Alice.

1874