(Soulary)

Desta janela aberta aos eflúvios de abril,
Vendo os que vão e vêm, a alma sonha e medita:
— "Pela vida-a lutar nesta faina febril,
Este e aquele, onde vão? de onde vêm nesta grita?”

O que se ama ou se odeia ou se busca ou se evita,
Tudo se cruza aqui numa trama sutil.
— Quantos a morte leva ou seja nobre ou vil,
Enquanto em pleno sol o vivente se agita? —

E penso então que desde o tempo mais distante
A rua vê correr a humana vaga, e nela,
Nada mudar da vida o drama palpitante.

E que outras ondas sempre aqui virão rolar...
Sempre as mesmas! porém, desta minha janela,
Outros — não eu! — virão vê-las ir e voltar...