Naquele olhar em que moram meu sonho e guia,
E onde vou procurar tudo que almejo e quero,
Embalde busco a vida. A efêmera alegria

Do viver, não perturba o seu fulgor sincero.
Nada que for terreno e alegre cante ou ria,
Vive nesse altar de onde o bem supremo espero;
Mas há nele o perdão, graças de Ave-Maria,
Prenúncios de além— céu em cada raio austero.

Necrólatras que andais na eterna romaria
Dos túmulos, buscando algum sonho que o fero
Destino arrebatou de voss'alma sombria,

A mim, que sou da Morte, o impenitente Ahasvero,
Vinde, eu vos mostrarei, cantando esta elegia,
Tudo que ainda sonhais, naquele olhar severo.