Tu que trazes contigo a energia da vida
E que a vida de novo, em rápido transporte
Implantaste em meu seio, — a fúnebre guarida
Dos meus mortos ideais, — animadora e forte;

Tu que o primeiro amor, levaste de vencida
E deste à alma transviada, outro rumo, outro norte,
Do áureo nicho em que estás, faze vir comovida,
A bênção desse olhar para os "Poemas da Morte".

Do deserto país que povoaste de sonho
Sê, lá do teu altar, a aureolada padroeira,
E aceita toda a fé que nos meus versos ponho.

Lua e Sol! A aclarar-me a sinuosa carreira,
Para o dia final sé tu meu sol risonho,
Sê tu meu doce luar na noite derradeira.