Neste terraço mediocremente confortável, bebemos cerveja e olhamos o mar.
Sabemos que nada nos acontecerá.

O edifício é sólido e o mundo também.

Sabemos que cada edifício abriga mil corpos labutando em mil compartimentos iguais.
Às vezes, alguns se inserem fatigados no elevador e vem cá em cima respirar a brisa do oceano,
o que é privilégio dos edifícios.
 
O mundo é mesmo de cimento armado.

Certamente, se houvesse um cruzador louco, fundeado na baía em frente da cidade,
a vida seria incerta... improvável...
Mas nas águas tranqüilas só há marinheiros fiéis. Como a esquadra é cordial!

Podemos beber honradamente nossa cerveja.