Como a vida muda. Como a vida é muda. Como a vida é nula. Como a vida é nada. Como a vida é tudo. Tudo que se perde mesmo sem ter ganho. Como a vida é  senha de outra  vida  nova que envelhece  antes de romper o novo.
Como a vida é outra sempre outra, outra não a que é vivida. Como a vida é vida ainda quando morte esculpida em vida. Como a vida é forte em suas algemas.
Como dói a vida quando tira a veste de prata celeste.
Como a vida é isto misturado àquilo. Como a vida é bela sendo uma pantera de garra quebrada. Como a vida é louca estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora de saber que é vida
e nunca nunca nunca
 
leva a sério o homem, esse lobisomem.
Como a vida ri a cada manhã
de seu próprio absurdo e a cada momento
dá de novo a todos uma prenda estranha.
Como a vida joga de paz e de guerra povoando a terra de leis e fantasmas. Como a vida toca seu gasto realejo fazendo da valsa um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida sempre renascida
em flor e formiga em seixo rolado peito desolado coração  amante. E  como  se  salva a uma só palavra escrita  no sangue
desde o nascimento: amor, vidamor!