Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade. Impossível escrever um poema — uma linha que seja — de  verdadeira  poesia. O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples. Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade. Amor se faz pelo sem fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda
falta muito para atingirmos um nível razoável de cultura. Mas até lá, felizmente,
estarei morto.
Os homens não melhoraram e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio. (Desconfio que escrevi o poema.)