Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem. Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados pelo mimo de amar: e não percebem quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma que os passeia de leve, assim a cobra se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre. Deixaram de existir mas o existido continua a doer eternamente.