ENTRE MIM e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gôsto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sôbre a minha própria existência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e êste abandono para além da felicidade e da beleza.

Oh! meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sôbre êste corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sôbre a areia passiva e inúmera...