Machado de Assis
Hino da mocidade Ao St E. Pelletan. Eppur si muove Ao som da tua voz a mocidade acorda, E olha ousada de face os piamos do porvir! Eia! rebenta a flor da longa estrada, à borda, E através do horizonte...
Não há pensamento raro Que aqui lhe diga Melhor que o seu nome caro, Gentil amiga.
Vi-te: em teu rosto voluptuoso e belo O anjo formoso dos amores vi! Amor ardente num olhar, num elo Destes teus olhos divinais senti! Vi-te: e prendeu o teu esbelto talhe O mimo, a graça do teu corpo...
A estrela da tarde sorri desmaiada No azul embalada de um fogo vital: Que luz vaporosa nos belos palores! Que facho de amores! que flor de cristal! Murmura nas praias a vaga indolente Um véu transpare...
Povos, curvai-vos A redenção do mundo consumou-se. JOÃO DE LEMOS I Na treva sombria de sacra tristeza, Gemendo se envolvem a terra e os céus, E a alma do crente num cântico acesa, Revolve na idéia, su...
Amigo, ao ler os versos saborosos Que me mandou por vinte e um de junho, Vi ainda uma vez o testemunho, Dos seus bons sentimentos amistosos. Há para os corações afetuosos (Isto, que escrevo por meu pr...
Quando em teus lábios a harmonia corre, Como os verbos das almas e do amor, Um mundo de douradas fantasias Ao coração dormente se abre em flor. Solto dos elos da matéria — o espírito Num céu que de ha...
Caro Rocha Miranda e companhia, Muzzio, Melo, Cibrão, Arnaldo e Andrade, Enfim, a toda a mais comunidade Manda saudades o Joaquim Maria. Sou forçado a não ir à freguesia; Tenho entre mãos, com pressa...
1892 Ri, Guiomar, anda, ri. Quando ressoa Tua alegre risada cristalina, Ouço a alma da moça e da menina, Ambas na mesma lépida pessoa. E então reparo, como o tempo voa, Como a rosa nascente e pequenin...
Um anjo desejei ter a meu lado... E o anjo que sonhei achei-o em ti!... C. A. DE SÁ És um anjo d’amor — um livro d’ouro, Onde leio o meu fado És estrela brilhante do horizonte Do Bardo enamorado Foste...
Ai; por Deus, por vida minha Como és travessa e louquinha! Gosto de ti — gosto tanto Dessa tua travessura Que não me dera o meu encanto, Que não dera o meu gostar, Nem por estrelas do céu. Nem por pér...
Enfim! Sobre esta cena, a tua e nossa glória, Onde a musa eloqüente e severa da história Toma-te a mão, e te abre à fascinada vista O campo do futuro, ó grande e nobre artista, Vejo-te enfim! Ermo, ca...
De pé! — Quando o inimigo o solo invade Ergue-se o povo inteiro; e a espada em punho É como um raio vingador dos livres! __________ Que espetáculo é este! — Um grito apenas Bastou para acordar do sono...
[No Álbum da Rainha D. Amélia] Senhora, se algum dia aqui vierdes, A estas terras novas e alongadas, Encontrareis as vozes que perderdes De outras gentes por vós há muito amadas. E as saudades que ent...
É quando eu sinto embriagar-me o peito Um místico vapor, E à luz fecunda desses olhos belos Da minha alma ter vida e alento — a flor; É quando as tranças dessa fronte loura Prendem o meu olhar, E sint...
O Sr. P. de Sales Guimarães e Cunha Non é perduta Ogni speranza ancor METASTÁSIO Poeta, beija a poeira Destes ásperos caminhos E cinge alegre os espinhos, Heranças que o gênio tem. O alaúde é dom fune...
Ao Sr. Remígio de Sena Pereira Cairão Ajax e suas frotas! HOMERO — Odisséia Sobre a escarpada rocha — levantada Na vaga — como um túmulo marinho, Sob eterno luar, César — desce como águia derrubada! N...
Cedo começas a buscar no espaço, Gentil romeira, a estrela do porvir; Deus que abençoa as lutas do talento Há-de ao esforço teu o espaço abrir. Para alcançar o astro peregrino O teu talento um largo r...
1859 Que queres tu que eu te peça? Um olhar que não consola? Podes guardar essa esmola Para quem ta for pedir, A um olhar de volúpia Que ensina discreto espelho Queres que eu curve o joelho, E quebre...
Nunca faltaram aos poetas (quando Poetas são de veia e de arte pura), Para cantar a doce formosura, Rima canora, verso meigo e brando. Mas eu triste poeta miserando, Só tenho áspero verso e rima dura;...
Os teus beijos ardentes, Teus afagos mais veementes, Guarda, guarda-os, anjo meu; Esta noite entre mil flores, Um sonho todo de amores Nos dará de amor um céu!
Vive tu, meu menino, os belos anos Junto dos teus, na doce companhia Do que há de melhor em corações humanos, E faze deste dia eterno dia.
Oh! si elle m'eût aimé! A. DE VIGNY Se ela soubesse por que tremo às vezes Como um junco nas bordas de um regato; E àquele olhar de uma volúpia ardente Fecho os meus pobres olhos de insensato. Se ela...
Ah! Pobre criança! Triste ludíbrio de funesta estrela! SHAKESPEARE — Otelo És triste. Que mal te oprime? Que sombrio pensamento, Como nuvem procelosa, Ponto negro no horizonte, Vem pousar, mulher form...
(Duas meninas cearenses que vinham no vapor Bahia.) “Verdes mares bravios, verdes mares Do Ceará” — que a musa de Iracema Cantou um dia, e que na hora extrema Certo entreviu nos últimos olhares, Ó ver...
Esta ave trouxe de alguém Algum recado Talvez diga que aí vem Um namorado. Um namorado que tem Do peito ao lado Um coração que o sustém De apaixonado. Se não acudir alguém Ao ansiado É, porventura, um...
Por ora sou pequenina Mas, quando eu também crescer Há de vir uma menina Dizer o que vou dizer. Vou dizer, noivos amados, Que é doce e consolador Ver assim dois namorados Coroando o seu amor. Casar é...
Ontem eu era criança Que brincava nos delírios, Entre murta, rosa e lírios, No meio d’etéreos círios, Nos brincos que a gente alcança; Que sonho p’ra mim, que vida Nas ânsias tão bem traída! Que noite...
Voulez-vous du français, ou bien de notre langue? Uma e outra lhe dou, Francisca, e não se zangue Car pour dire d’un beau visage et son esprit, Um nome basta — o seu — ce nom tout seu! suffit!
Ao Ilmo. Sr. Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa Do Grego Vate expande-se a harmonia Em teus sonoros carmes! Na harpa d'ouro Do sacro Apollo, Trovador, dedilhas Doces cantos que o espírito arrebata Ao...
Morreste, seriedade! Momo, o deus das zombarias, Usurpou-te, por três dias, Teu esplêndido bastão! De um exílio temporário Toma a longa e nova rota; Agora reina a chacota E o carnaval folgazão! Diante...
Viva o dia onze de junho, Dia grande, dia rico, Batalha do Riachuelo, Dia dos anos do Tico.
A J... Meu destino é um rio do deserto A murmurar-me aos pés; Veia nascida em urna noite amarga, As bordas são de areia, a onda é larga E loucas as marés. Tem as águas azuis, — mas são profundas Naque...
Quando nas noites de luar de outono Pendem as flores que a manhã crestara E a chuva desbotou, Que mão piedosa ergueu-as do abandono... E cuidadosa no seio as orvalhara? Que sorrindo as beijou? Elas mo...
Buscas debalde o meigo passarinho Que te fugiu; Como quer que isso foi, o coitadinho No brando ninho Já não dormiu. O coitado abafava na gaiola, Faltava-lhe o ar; Como foge um menino de uma escola, O...
Vós que esta sala encheis, e a lágrima sentida E o riso de prazer conosco misturais, E depois de viver da nossa mesma vida Ao lar tranqüilo e bom contentes regressais; Que perdeis? Um noute; algumas h...
Escritos no álbum da Exma. Sra. D. Branca P. da C. Pede estrelas ao céu, ao campo flores; Flores e estrelas ao gentil regaço Virão da terra ou cairão do espaço, Por te cobrir de aromas e esplendores....
dedicadas a D. Isabel e ao Conde d’Eu I Que riso este o ar encerra? Que canto? Que troféu? Que diz o céu à terra? Que diz a terra ao céu? II Do seio das florestas Que aroma sobe ao ar? E que oblações...
Do seio da espessura, Ó virgem do Brasil, Ergue radiante e pura A fronte juvenil. Tece com as mãos formosas À noiva imperial De lírios e de rosas A c’roa nupcial. Flor desta jovem terra, Em seu profun...
Amanhã quando a lâmpada da vida Na minha fronte se apagar, tremendo, Ao sopro do tufão, Oh! derrama uma lágrima sincera Sobre o meu peito macilento e triste, E reza uma oração! Será uma saudade verdad...
Viens, je suis dans la nuit, mais je puis voir le jour! VICTOR HUGO Oh! se eu pudesse respirar num beijo O teu hálito ardente e vaporoso. E na febre do amor e do delírio Sobre o teu seio estremecer de...
Entretanto o céu se levanta sereno E pomposo corno para um dia de festa. LACRETELLE Vês? No horizonte se debruça a aurora Como um infante a rir; As flores vão abrir-se: o luar se apaga; Começa a vida;...
No álbum do Sr. F. G. Braga Pobre romeiro da poente estrada, Cantei passando pelo val da vida Ao sopro do aquilão Ouvi-te um canto. Minha voz cansada Vem modular-te a saudação sentida, Como de irmão a...
Brasileiros, pesai a longa vida Da nossa pátria, e a curta vida nossa; Se há dor que possa remorder, que possa Odiar uma campanha, ora vencida, Longe essa dor e os ódios seus extremos; Vede que aquele...
(Imitação do alemão) Satã teve um dia a idéia De casar. Que original! Queria mulher não feia, Virgem corpo, alma leal. Toma um conselho de amigo, Não te cases, Belzebu; Que a mulher, com ser humana É...
Daqui, deste âmbito estreito, Cheio de risos e galas, Daqui, onde alegres falas Soam na alegre amplidão, Volvei os olhos, volvei-os A regiões mais sombrias, Vereis cruéis agonias, Terror da humana raz...
César! Fulge mais luz nas saudações do povo, Há nos hinos plebeus — mais alma nacional Quando a mão do Senhor ergue, dum germe novo, A virtude e o saber em fronte imperial. Aqui, se o vê curvado ao so...
(G. BLEST GANA) Lembranças daquela idade De inocência e de candor, Não turbeis a soledade Das minhas noites de dor; Passai, passai, Lembranças do que lá vai. Minha prima era bonita... Eu não sei por q...
Tes lèvres, sans parler, me disaient: — Que je t'aime! Et ma bouche muette ajoutait: — Je te crois! Mme. DESBORDES-VALMORE A vez primeira que te ouvi dos lábios Uma singela e doce confissão, E que tra...
É um canto de irmão. Crispam meus lábios Entusiasmado, convulsões cruéis! Toma esta lira; consagrei-a aos bravos; Não na mancharam saturnais de escravos, As opressões dos reis. Uma idéia vital pulsa-l...
Pára! Colhe essas asas um instante; Olha que senda decorrendo vens! Pára! é o marco final do caminhante, E mais espaços a vencer não tens! Lembra as visões e os sonhos do passado... Vão longe, longe —...
Faz-se a melhor harmonia Com elementos diversos; Mesclam-se espinhos às flores: Posso aqui pôr os meus versos.
Ao meu primo o Sr. Henrique José Moreira Meiga saudade! — Amargos pensamentos A mente assaltam de valor exausta, Ao ver as roxas folhas delicadas Que singelas te adornam. Mimosa flor do campo, eu te s...
Quand je t'aimais, pour toí j'aurais donné ma vie Mais c'est toi, de t'aimer, toi qui m'ôtas l'envie. ALFRED DE MUSSET Nunca mais! O sol de outrora Treva súbita apagou; Já o fogo não devora Onde a gea...
(Pela inauguração do Asilo de Órfãos de Campinas) Recolhei, recolhei essas coitadas, Tristes crianças, desbotadas flores, Que a morte despojou dos seus cultores E pendem já das hastes maltratadas. Tro...
1º jan. 1858 Por que voltaste? Esquecidos Meus sonhos, e meus amores Frios, pálidos morreram Em meu peito. Aquelas flores Da grinalda da ventura Tão de lágrimas regada, Nesta fronte apaixonada Cingida...
Pago ao gênio um tributo merecido Que a gratidão me inspira; Fraco tributo, mas nascido d'alma. MAG. SAUDADES Qual descantou na lira sonorosa O terno Bernardim com voz suave; Qual em tom jovial cantou...
La esencia de las flores Tu dulce aliento sea. QUINTANA Desabrochas ainda; tu és bela Como a flor do jardim; És doce, és inocente, como é doce Divino Querubim. Nas gotas da pureza inda se anima A tu'a...
(FRAGMENTO)...ungido crente, Alma de fogo, na mundana argila. M. A. A. AZEVEDO Do sacro templo, sobre as negras ruínas lá medita o profeta Com fatídica voz, dizendo aos povos Os decretos de um Deus;...
Ao terno suspirar do arroio brando, Quanto é belo o repouso em campo ameno! Em noite de verão, que a brisa geme, Em noite em que o luar brilha sereno! Acorda-se alta noite: no silêncio Envolta jaz a t...
Chora meu coração, minh’alma geme De saudades de ti, minha querida; Já não posso no mundo ter prazer, Já meu coração não tem mais vida. Tenho de ti saudade, só lastimo Ter cedo minha mãe perdido a vid...
Teu rosto meigo e singelo Tem do Céu terno bafejo. Tu és a rosa do prado Desabrochando ao albor Abrindo o purpúreo seio, Abrindo os cofres de amor. Tu és a formosa lua Percorrendo o azul dos céus, Ret...
Já da terrena túnica despida, Voaste, alma gentil, à eternidade; E, sacudindo à terra As lembranças da vida, as mágoas fundas, Foste ao sol repousar da etérea estância. Nem lágrimas, nem preces O desp...
AO SR. DR. M. A. D'ALMEIDA Vejo em fúnebre cipreste Transformada a ovante palma! PORTO ALEGRE. Morrer, de vida transbordando ainda, Como uma flor que ardente calma abrasa! Águia sublime das canções et...
(H. Heine) Um cavalheiro havia, taciturno, Que o rosto magro e macilento tinha. Vagava como quem de algum noturno Sonho levado, trépido caminha. Tão alheio, tão frio, tão soturno, Que a moça em flor e...
À memória de minha mãe Há uma dor que não se apaga d’alma, Lágrima triste que pendente existe Da face do infeliz: É gemido que mata e não se acalma, Que torce o coração, e se persiste, A existência ma...
Oh! laisse-moi t'aimer pour que j'aime la vie, Pour ne point au bonheur dire un dernier adieu! ALEXANDRE DUMAS Como ao luar da noite as flores dormem, Vem dormir sob a luz dos olhos meus! Hão de as br...
Brasileiros! haja um brado Nesta terra do Brasil: Antes a morte de honrado Do que a vida infame e vil! O leopardo aventureiro, Garra curva, olhar feroz, Busca o solo brasileiro, Ruge e investe contra...
Out. 1858 — Por que há de a musa que coroam rosas Da rocha inculta só rebentam cardos: Lágrima fria de pisados olhos Não cabe em chão de pérolas. — Por que há de a musa que coroam rosas Vir debruçar-s...
César! Fulge mais luz nas saudades do povo. Há nos hinos plebeus — mais alma nacional, Quando a mão do Senhor ergue dum germe novo A virtude e o saber em fronte imperial. Aqui; se o vês curvado ao sol...
Vem, meu Cognac, meu licor d’amores!... É longo o sono teu dentro do frasco; Do teu ardor a inspiração brotando O cérebro incendeia!... Da vida a insipidez gostoso adoças; Mais val um trago teu que mi...
Ao Sr. Dr. Francisco Otaviano I E Deus disse ao espírito incriado: Desce na asa do vento; Por entranhas humanas — encarnado Dormirás um momento. Lá te espera nos limbos palpitantes De dura escravidão...
Cubram embora as últimas montanhas Nuvens de tempestade; E vergue um dia os ânimos do povo Dura calamidade; Cobre de há muito o teu domínio estreito; Tu mesmo abriste as portas do Oriente; Rompe a luz...
Despe esses ferros de dormente escrava, Que o sol dos livres no horizonte vem! Velha cratera — o referver da lava Atento e curvo todo um século tem. Acorda! o sono da opressão devora! Pátria de Roma —...
Nesse trono Senhor, que foi erguido Por um povo já livre, e sustentado Por ti, que alimentando as leis, o estado Hás na História teu Nome engrandecido! Nesse trono, Senhor, onde esculpido Tem à destra...
Em seus lábios um sorriso É a luz do paraíso. GARRET Não sabes, virgem mimosa, Quanto sinto dentro d'alma Quando sorris tão formosa Sorriso que traz-me a calma: Brando sorriso d'amores Que se desliza...
Cala-te, amor de mãe! Quando o inimigo Pisa da nossa terra o chão sagrado. Amor de pátria, vivido, elevado, Só tu na solidão serás comigo! O dever é maior do que o perigo; Pede-te a pátria, cidadão ho...
1859 Em teu caminho tropeçaste — agora! Cala esse pranto, minha pobre flor. Caída mesmo — tropeçando embora, Conserva a alma um último pudor. Deve ser grande esse martírio lento... Já nos espinhos a m...
(Imitação de Cowper) Quanto eu, pobre de mim! quanto eu quisera Viver feliz com minha mãe também! C. A. DE SÁ Quem foi que o berço me embalou da infância Entre as doçuras que do empíreo vêm? E nos bei...
Salve, altivo gigante, mais forte Que do tempo o cruel bafejar, Que avançado campeias nos mares, Seus rugidos calado a escutar. Quando Febo ao nascente aparece Revestido de gala e de luz, Com seus rai...
À MEMÓRIA DE MINHA IRMÃ Se deixou da vida o porto Teve outra vida nos céus. A. E. ZALUAR Foste a rosa desfolhada Na urna da eternidade, Pr’a sorrir mais animada, Mais bela, mais perfumada Lá na etérea...
1891 Entra cantando, entra cantando, Apolo! Entra sem cerimônia, a casa é tua; Solta versos ao sol, solta-os à lua, Toca a lira divina, alteia o colo. Não te embarace esta cabeça nua; Se não possui as...
Chama-se a vida a um martírio certo Em que a alma vive se morrer não pode, É crer que há vida p'ra o arbusto seco, Que as folhas todas para o chão sacode. Dizer que eu vivo... e minha mãe perdi, Minha...
No álbum do Sr. João Dantas de Sousa Musa Vês, meu poeta, em torno estas colinas, Como tronos gentis da primavera? Abrem-se ali as pálidas boninas, E em volta dos cipós se enrosca a hera! É o sol-post...
Ventos do mar, que há pouco sussurrando As vozes dele ouvíeis namorados, Ventos de terra, agora consternados, Levai a nova do óbito nefando. Castigo foi à nossa pátria, quando Dele esperava alentos re...
A Musa, que inspira meus tímidos cantos, É doce e risonha, se amor lhe sorri; É grave e saudosa, se brotam-lhe os prantos. Saudades carpindo, que sinto por ti. A Musa, que inspira-me os versos nascido...
A UMA ITALIANA É sempre nos teus cantos sonorosos Que eu bebo inspiração. DO AUTOR [“Meu Anjo”.] Tu és tão sublime Qual rosa entre as flores De odores Suaves; Teu canto é sonoro Que excede ao encanto...
Olha: vem sobre os olhos Tua imagem contemplar, Como as madonas do céu Vão refletir-se no mar Pelas noites de verão Ao transparente luar! Olha e crê que a mesma imagem Com mais ardente expressão Como...
C'est que j'ai recontré des regards dont la flamme Semble avec mes regards ou briller ou mourir. E. DESCHAMPS Uns olhos me enfeitiçaram, Uns olhos... foram os teus. Falaram tanto de amores Embebidos s...
E ainda, ninfas minhas, não bastava... CAMÕES, Lusíadas, VII, 81. I Vês um féretro posto em solitária igreja? Esse pó que descansa, e se esconde, e se some, Traz de um grande ministro o formidável nom...
Ouviste o márcio estrépito E a mão lançando à espada Foste, soldado indômito, Vingar a pátria amada, Do universal delírio Aceso o coração. Foste, e na luta férvida, (Glória e terror das almas) De quai...
Adeus! é o meu suspiro derradeiro! É a última ilusão que me embebia! Apagou-se-me o sol das esperanças E veio a noite sepulcral sombria... Adeus..., perdoa a um doido apaixonado Uma hora de ilusão e d...
A FRANCISCO GONÇALVES BRAGA Como é linda e verdejante Esta palmeira gigante Que se eleva sobre o monte! Como seus galhos frondosos S’elevam tão majestosos Quase a tocar no horizonte! Ó palmeira, eu te...
Daí à obra de Marta um pouco de Maria, Dai um beijo de sol ao descuidado arbusto; Vereis neste florir o tronco erecto e adusto, E mais gosto achareis naquela e mais valia. A doce mãe não perde o seu p...
Saudade! ó casta virgem, Qu'inspiraste a Bernardim, Nos meus dias de tristeza Consolar tu vens a mim. E G. BRAGA Saudade! d’alma ausente, o acerbo impulso, Mágico, doce sentimento d’alma Místico enlei...
Ilustríssimo, caro e velho amigo, Saberás que, por um motivo urgente, Na quinta-feira, nove do corrente, Preciso muito de falar contigo. E aproveitando o portador te digo, Que nessa ocasião terás pres...
Naquele eterno azul, onde Coema, Onde Lindóia, sem temor dos anos, Erguem os olhos plácidos e ufanos, Também os ergue a límpida Iracema. Elas foram, nas águas do poema, Cantadas pela voz de americanos...
Nunca vi, — não sei se existe Uma deidade tão bela, Que tenha uns olhos brilhantes Como são os olhos dela! F. G. BRAGA Seus olhos que brilham tanto, Que prendem tão doce encanto, Que prendem um casto...
16 abr. 1895 A bela dama ruiva e descansada, De olhos longos, macios e perdidos, C'um dos dedos calçados e compridos Marca a recente página fechada. Cuidei que, assim pensando, assim colada Da fina te...
1906 Querida, ao pé do leito derradeiro Em que descansas dessa longa vida, Aqui venho e virei, pobre querida, Trazer-te o coração do companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro Que, a despeito de t...
Oh! Como é suave os olhos Sentir de gozo cerrar, Sobre um sofá reclinado Lindos sonhos a sonhar, Sentindo de uns lábios d’anjo Um medroso murmurar! Um sofá! Mais belo símbolo Da preguiça outro não há....
Semana Santa, 1858 AO MEU AMIGO O PADRE SILVEIRA SARMENTO Consummatum est! I Ei-lo, vai sobre o alto Calvário Morrer piedoso e calmo em uma cruz! Povos! naquele fúnebre sudário Envolto vai um sol de e...
No álbum da Exma. Sra. D. Luísa Amat Dormi ébrio no seio do infinito Ao fogo da ilusão que me consome; A lira tateei na treva... embalde! Nem uma palma coroou meu nome! Os meus cantos morrerão no dese...
Se eu fora poeta de um estro abrasado Quisera teu lindo semblante cantar; Gemer eu quisera bem junto a teu lado, Se eu fora uma onda serena do mar; Se eu fora uma rosa de prado relvoso, Quisera essa c...
Heroína da cena, que entre as flores Que a senda esmaltam da carreira d’arte Em que orgulhosa pisas, ostentando A fronte além das sombras que forcejam Debalde por calcar teu nome e glória, Colhes coro...
Quem pode em um momento descrever Tantas virtudes de que sois dotada Que fazem dos viventes ser amada Que mesmo em vida faz de amor morrer! O gênio que vos faz enobrecer, Virtude e graça de que sois c...