Ó tu que vás ao declinar do dia
pela deserta e solitária estrada,
a noite desce próspera e esfuzia
na brenha a voz da frígida nortada!

Junto à escarpada cúspide sombria
do árido monte, ao pé da encruzilhada,
sobre uma cova legendária e fria, 
há uma cruz fendida e mutilada.

Diz-se que em noites de amavio, quando,
às horas mortas, a erma selva acusa
choros pressagos de um clamor nefando,

rondam espectros pela mata escusa,
luz do luar sonâmbulo, valsando
na solidão da brenha circunfusa!