Ardem os círios alvos da capela
e os sinos tangem dobres a finados.
Por que não mais a luz do olhar estrela
de Dona Branca os olhos assombrados?

Jaz o castelo desolado e frio,
ardem archotes na capela ardente.
Que mão quebrara o místico amavio
de Dona Branca pálida e clemente?

Soluçam pajens e soluçam aias
junto ao caixão da castelã finada.
Por que te quedas flor? Por que desmaias,
ó Dona Branca pálida e magoada?

Todo o solar é quedo e taciturno.
Espectros andam pelos aposentos.
Por que ocultaram sob o véu noturno
de Dona Branca os traços macilentos?

Lento o luar notívago se apruma
por entre as nuvens, pelo céu afora.
Por que a espectral e clara cor da bruma
de Dona Branca a flor do rosto esflora?

Ladra a matilha dos mastins; um passo
rápido soa pelo parque umbroso.
Quem vai cingir num derradeiro abraço
de Dona Branca o corpo vaporoso?

Próximo o passo na alameda, entanto,
avança; e súbito abre-se uma porta...
Eia, Dom Gil! Por que tardaste tanto?
Ai! Dona Branca, a tua noiva, é morta!