Próxima à velha mata abandonada e triste
ao pé da encruzilhada,
uma antiga ruína aos temporais resiste,
mesta e desabitada.

As verdes explosões dos líquens e das heras,
alastrando as paredes,
embalam dos festões, à luz das primaveras,
as viridentes redes.

Raio de meigo sol compadecido e escasso,
da vivenda mesquinha, 
deixa, no atro recesso, um lânguido mormaço
à boca da noitinha.

Mal assombrada e triste, a inválida ruína,
ulcerada de fendas
soluça, sob a noite, ao longo da campina,
imprecações tremendas.

Há uma historia má, tetérrima e funesta
montão de escombros;
e o povo sonhador de pânicos lhe empresta
uma vida de assombros.

Epílogo cruel de atroz reminiscência,
uma cruz mutilada
põe da lenda fatal a vaga reticência
ao pé da encruzilhada...