(A Figueiredo Pimentel)

Ao sabor da corrente, em que se afoga
da balsa a popa errática, descemos,
enquanto o rio espuma e a quilha joga
ao compasso monótono dos remos.

Sobre a frágil e intrépida piroga
a caudalosa aluvião vencemos;
e a vista incerta pelas praias voga,
perdida à toa nos painéis extremos

Mas, à boca da noite, enfim, por tudo
o silêncio se espraia. O rio é mudo...
Somente oscila a plácida canoa.

E enquanto cai a noite e a luz declina,
de chofre, a grave e côncava buzina,
surda e roufenha, pelo vale ecoa...