(A L. Cassiano Junior)

Fugiu-me a doidejante e alegre fantasia!
Embalde exerço a pena e ao tédio meu resisto!
Foi-se-me a inspiração, decerto... E todavia
neste aturado afã de produzir insisto!

Sai-me indômito e mau sobre o papel malquisto
o metro burilado e dócil que escandia.
Tolhe-me um desalento estúpido e imprevisto
esta pena que range a revel ironia!

Mas, subjugando a ideia à forma, a venço e tomo
de novo. E volto ao fim. Do fim para o começo
ando... Trabalho vão! Vã tentativa! Como

me sinto estéril, fraco ! E como me aborreço!
em vendo uma outra vez o verso ao metro avesso,
a rima que me escapa e a ideia que eu não domo!