Ainda que a dura e acerba dor sofrendo
e muito embora o amargo fel provando,
raro vereis o pranto meu correndo,
raro vereis meu coração pulsando.

Porque das desventuras me defendo,
odes, versos e rimas burilando,
e todo o fel do meu pesar vertendo
nas estrofes que vivo entressachando.

“Zomba talvez!” direis, “Falta-lhe o senso!”
porque pensais de modo bem diverso,
porém, daquele por que falo e penso.

Sabei que a Dor é um animal perverso
que eu domestico, que eu subjugo e venço, 
soando o rude cálamo do Verso.