Erro, buscando, cego embora,
a branca luz da madrugada.
A noite eu sou; tu és a aurora,
amada.

Sonhos da noite estrelada,
sonhos de amor;
canções da cor da alvorada,
canções de amor!

Ai, que tristeza, ai, que tormento!
Tenho na treva a alma perdida.
É teu olhar meu firmamento,
querida.

Astros da noite estrelada
de seu olhar
dai-me a esmola constelada
de seu olhar.

Morro de frio e de cansaço
Oh! noite fria e tenebrosa!
Dá-me o calor de teu regaço,
formosa.

Dá-me essa noite estrelada
do sonho teu;
estende-me a asa dourada
do beijo teu. 

Amada, vem. A luz do dia
não tarda a rir nas leiras... Arde
meu peito... Canta a cotovia.
É tarde!

É tarde! A noite estrelada
desce do céu.
Há uma boda encantada,
além, no céu

Amada, vem. Do céu nuvioso
a noite vai-se. A aurora esplende:
seu grande beijo luminoso
resplende.

Vem sob a noite estrelada,
querida. Vem
à janela enluarada.
Desperta e vem!