Chapelim Vermelho, cabazinho cheio,
aonde vás agora, sem nenhum receio,
quase noite, aos montes, indefesa e só?

– Vou levar toucados cor dos alvos linhos,
vou levar regalos, vou levar carinhos, 
vou levar recados para minha avó.

Chapelim Vermelho, atende que há bruxedos
perto da floresta, perto dos rochedos,
onde jaz um morto junto de uma cruz.

– Não receio as bruxas nem aos seus encantos,
não receio os mortos nem aos seus quebrantos,
não receio o lenho em que floriu Jesus.

Chapelim Vermelho, jazem entre as heras
venenosas serpes, há no bosque as feras,
há bulcões à noite mais o furacão,

– Dentro do regaço trago um relicário,
tenho um amavio tão extraordinário,
que não fujo às feras, nem as temo, não!

Chapelim Vermelho, Chapelim Vermelho!
Pequenina louca, atende ao meu conselho
a tardinha vai se desmaiando já.

– Não embargam crentes esses teus temores,
que me importa a noite mais os seus horrores,
se minha avozinha tão doente está?

Chapelim Vermelho pela estrada afora,
Chapelim Vermelho lá se vai agora,
tão ligeira e alegre como um rouxinol.

Quando chega à casa da avozinha doente,
noite já fechada – como está contente! –
nem um raio de ouro! Já se pôs o sol!