Atra noite outonal. Como feroz lamento,
através da folhagem,
corta o silêncio a voz aspérrima do vento
indômita e selvagem.

Cresce o estranho furor da regida nortada,
e todo o bosque umbroso
agita-se a tremer sob a luz argentada
do almo luar nuvioso.

E adormece o luar na tristeza infinita
da solidão nefária,
E pelo bosque umbroso abre-se a branca fita
da estrada solidária.

De súbito um tropel ressoa sobre o tope
de uma escarpa distante,
e um cavaleiro avança a rápido galope
pela floresta adiante.

Traz erguida a viseira e de um penacho branco
se adorna o capacete;
pendente do talim cimitarra o flanco
castiga do ginete.

E através da floresta e da negra espessura,
polido e reluzente,
brilha o frio metal da rígida armadura
vertiginosamente.

Rebrama a voz do vento aspérrima e funesta
e galopando passa
pela estrada silente, através da floresta,
fantástica a couraça.

Cessa do vento a voz e treme o roble antigo
e clama o bosque inteiro:
–“Aonde vás, aonde vás, alucinado amigo,
sinistro cavaleiro?”