Certo, eu vivo num mundo espiritual, postado
À beira de uma vil sepultura de gesso.
Sem que possa fugir, vejo a morte ao meu lado...
Que vale o pó (... foste mulher!) por que padeço?

Pobres restos mortais! (O lábio do pecado
Nunca beijou de leve o teu cabelo espesso...
O teu remoto olhar de Anjo Crucificado
Vem-me de longe despertar quando adormeço).

Parce sepultis, Deus dos eternos martírios!
Um coveiro, talvez, vendo a cova tão alta,
Fez o canteiro onde nós dois colhemos lírios.

Sei de um espectro que me diz quando se some:
— A quem guardas aí, Cavaleiro de Malta,
À beira deste Santo Sepulcro sem nome?