Tantas serpentes vi pelos meus calcanhares
Em rolos, e tal era a fúria dos seus botes,
E tantas rãs coaxando, e as vozes familiares
De outros muitos répteis a pular aos pinotes: 

Tantos monstros, que enfim os meus rudes olhares
(Dizem que os Anjos têm os mais excelsos dotes).
Tiveram de rezar à som brados altares,
Suplicando a verdade à voz dos sacerdotes.

Eis-me esperando aqui os meus votos supremos:
Terão a treva ou a luz, o Inferno ou o Paraíso,
Os pobres olhos que não mais serão blasfemos?

Como é bom esperar a longínqua promessa
Que no dia final do tremendo Juízo
Há de ser tão maior por maior que se peça!