Uma mulher que por amar soluça,
Na torre da minha alma se debruça.

E despenha-se o luar na encosta do monte,
Tranquilamente, como uma fonte.

Dois ou três demônios familiares
Passam cantando, para voar logo após pelos ares.

E despenha-se o luar pela encosta do monte.
O monte fica defronte
Da torre da minha alma onde soluça
Essa mulher: e quando o sol entre as nuvens se embuça,
Nas horas mortas dos crepúsculos tão vagos,
De azul, vestida como o céu, como o céu misteriosa,
Ela abre os olhos imortais, como dois lagos...
Virgem Piedosa!
E os sonhos passam, cisnes que não cantam mais,
No infinito dos seus olhos imortais,
Abertos para a eternidade...

Pobre mulher, pobre Saudade!