(A José Severiano de Rezende)

São Bom Jesus de Matozinhos
Fez a Capela em que o adoramos
No meio de árvores e ramos
Para ficar perto dos ninhos.

É como a Igreja de uma aldeia,
Tão sossegada e tão singela…
As moças, quando a lua é cheia,
Sentam-se à porta da Capela.

Vai-se pela ladeira acima
Até chegar no alto do morro.
Tão longe… mas quem desanima
Se Ele é o Senhor do Bom-Socorro!

Tem tanto encanto a sua Igreja,
Paz que nos é tão familiar,
Que é impossível que se não seja
Um bom cristão em tal lugar.

Alegrias mais que terrestres
Murmuram hinos pelas naves.
No adro, quantas flores silvestres,
Nas torres, quantos voos de aves…

E atrás da Igreja o cemitério
Floresce cheio de jazigos.
Os próprios mortos, que mistério!
Vivem na paz de bons amigos.

Quando o Jubileu se aproxima,
Ai! quanta gente sobe o morro…
Tão longe… mas quem desanima
Se Ele é o Senhor do Bom-Socorro!

Velhas de oitenta anos contados
Querem vê-lo no seu altar,
Braços abertos, mas pregados,
Que nos não podem abraçar.

Entrevados de muitos anos,
Vão de rastros pelos caminhos
Olhar os olhos tão humanos
De Bom Jesus de Matozinhos.

Saem dos leitos, como de essas,
Espectros cheios de esperança,
E vão cumprir loucas promessas,
Pois de esperar a fé não cansa.

Vinde, leprosos do grande ermo,
Almas que estais dentro de lodos:
Que o Bom Jesus recebe a todos,
Ou seja o são ou seja enfermo.

Almas sem rumo como as vagas,
Vinde rezar, vinde rezar!
Se Ele também tem tantas chagas,
Como não há de vos curar…

Direis talvez: “Chegar lá em cima…
Antes de lá chegar eu morro!
Tão longe… “Mas quem desanima
Se Ele é o Senhor do Bom-Socorro!

Foi pelo meado de setembro,
No Jubileu, que eu vim amá-la.
Ainda com lágrimas relembro
Aqueles olhos cor de opala…

Era tarde. O sol no poente
Baixava lento. A noite vinha.
Ela tossia, estava doente…
Meu Deus, que olhar o que ela tinha!

Ela tossia. Pelos ninhos
Cantava a noite, toda luar.
S. Bom Jesus de Matozinhos
Olhava-a como que a chorar…